Também chamados de MUN´s (Model United Nations), as simulações de relações internacionais existem, no mínimo, a cinqüenta anos. No Brasil, o primeiro modelo foi desenvolvido na UNB em 1998, sendo, portanto, uma experiência relativamente recente.
Em síntese, a proposta dos Modelos consiste na simulação parcial de uma situação diplomática, na qual os estudantes tornam-se os delegados, os jornalistas, diretores de sessões, staff, fotógrafos, entre outras profissões e atividades relacionadas com os encontros internacionais.

No intervalo de algumas sessões – de três a cinco dias – os jovens delegados devem representar com o máximo possível de veracidade seus países, interagindo com outros jovens, com os professores e até mesmo outras autoridades eventualmente convidadas. Neste processo, situações das mais diversas são simuladas, desde a elaboração de resoluções, declarações e outros documentos oficiais, passando pelo debate em torno de problemas ambientais, econômicos, sociais e políticos presentes na agenda internacional, até a solução de crises, para as quais não existem muito tempo. Neste caso, os delegados permanecem trancados nas salas de interação até chegarem a um consenso a respeito da melhor decisão a ser tomada.
Os Modelos possuem na verdade três grandes momentos: a preparação, a interação propriamente dita e momento final para as devidas premiações e avaliações de todo o processo. É na preparação, por exemplo, que os estudantes realizam a boa parte do trabalho: a pesquisa acerca do tema e do país representado, a elaboração do documento de posição oficial, o treinamento (em certos casos, uma verdadeira simulação da simulação) e o estudo das regras internacionais pertinentes ao comitê ou instituição simulada e ao próprio Modelo.
Os benefícios são muitos. Os Modelos aproximam os estudantes das situações reais, despertam um maior interesse pela pesquisa e o conteúdo, auxiliam no aperfeiçoamento de habilidades, tais como: a oralidade – através da elaboração do discurso; a interação em grupo; a reflexão e solução de problemas; a escrita, além, é claro de todo o trabalho de pesquisa anteriormente destacado.

Apesar da existência recente desta proposta no país, já existem muitos modelos de sucesso no Brasil, alguns com oito anos, e que servem de referência para a construção de novos projetos ou mesmo para confirmar a qualidade deste tipo de simulação enquanto mecanismo de ensino-aprendizagem. Entre as muitas simulações existentes, destacam-se:
- MINI ONU, PUC, Belo Horizonte (www.pucminas.br/mini-onu/);
- SINUS (Simulação das Nações Unidas para Secundaristas, UNB, Brasília (http://www.sinus.org.br/);
- Fórum FAAP de Discussão Estudantil, São Paulo (www.forumfaap.br/forum_2007/);
- SIEM: Fazendo História, São Paulo (http://www.siem.org.br/);
- Global Classrooms, ANUBRA, São Paulo (http://www.gcsp.org.br/);
- ONU Jr. Rio de Janeiro (http://www.onujr.br/);
- MIRIM (Modelo Intercolegial de Relações Internacionais), PUC, Rio de Janeiro (www.mirin-puc.com/)
Outras simulações são direcionadas para estudantes universitários, possivelmente adquirindo um maior grau de profundidade e veracidade. Entre os principais, encontram-se o MONU (Modelo da Organização das Nações Unidas), unindo jovens de diversas universidades de São Paulo; o AMUN (America´s Model United Nations), realizado na UNB, em Brasília; o TEMAS, da PUC-MG em Belo Horizonte, entre outros.
Como provavelmente já foi possível perceber até agora, a possibilidade de temática para os Modelos é tão vasta quanto a própria agenda internacional, considerando a complexidade da pauta e das instituições internacionais. Mas isto não impede que haja certo direcionamento na maioria das propostas de simulações para o modelo Organização das Nações Unidas (seja com a Assembléia Geral, o CS ou mesmo os comitês internos da instituição) e temáticas envolvendo questões militares e de desenvolvimento. Muitas simulações, contudo, abordam comitês históricos – reproduzindo uma conferência ou reunião de cúpula já ocorrida e com relevância histórica -, encontros de personalidades históricas ou mesmo simulam situações fictícias. No último caso, não obstante as críticas existentes quanto aos debates com temáticas imaginárias, as opções são vastas: desde o uso de armas nucleares por um Estado autoritário ou um grupo terrorista, até uma declaração de guerra entre dois países jamais ocorrida ou mesmo uma situação de emergência ambiental sem precedentes.
Os Modelos, como se pode notar, são suscetíveis a novas experimentações e mudanças. Na medida em que tais simulações amadurecem no país, atingindo o interior das escolas, a tendência é a diversificação dos formatos, a definição de novas temáticas, adaptando-os, inclusive, as especificidades locais.
